quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Aqui estou eu tentando, novamente, reiniciar. Não é a primeira vez, não será a última.

Certamente, essa não é uma tarefa fácil, principalmente hoje em dia, quando já estou cansado do tempo, trazendo mais de meio século nas costas... As palavras – sabe-se lá o motivo! – me visitam com menos frequência e, talvez, seja apenas mais uma tentativa frustrada, daquelas que não dão em nada, que insistem em ficar no vazio. Ou, quem sabe, possa ser esse recomeço um incentivo, uma reconciliação.

Por tanto tempo me distanciei das coisas simples, daquilo que sempre gostei de fazer. Divorciei-me das palavras, dos traços, cores, rimas, formas. Não consigo, nem com grande esforço, lembrar quando foi a última vez em que, intoxicado de arte, derramei poesia em algum meio de expressão...

Desde que entrei nesse árido mundo jurídico, tudo que escrevo traz sempre essa (desagradável) sensação empoeirada, verborrágica. São centenas de parágrafos sem criatividade, justapostos como gado de corte, vernáculos se acotovelando entre brocardos em latim, ganhando aquela vestimenta toda certinha, alinhavada meticulosamente como uma insossa petição inicial...

Quando criei esse blog, ainda nesse tempo em que – imaginava eu! – tinha a arte por companheira, a vontade era que fosse um repositório de ideias, um cantinho em que eu pudesse ser eu, simplesmente. Um local em que, aos poucos, alimentado com pequenas doses de coisas que eu tivesse feito ou que faria em um futuro não tão distante, fosse um retrato, ainda que esmaecido, do ser pensante que, algum dia, habitou em mim...

Ledo engano! Com o passar do tempo e a escassez de palavras, ele foi ficando cada vez mais e mais esquecido n´algum canto não menos esquecido dessa imensa teia que é a internet. Um endereço obscuro, virtual, perdido no meio de tantos outros...

Valeria a pena ressuscitá-lo ainda mais uma vez?

Pois é, acho que me deu vontade, de novo. E, de novo, eu o retiro de seu limbo particular, sopro pra longe os resíduos de passado e me dou a oportunidade de recomeçar.

De início, àqueles que me visitam pela primeira vez, faço um convite. Não é um blog gigantesco, cheio de textos intermináveis ou de leitura difícil e, por isso, caso seja do interesse, peço que vasculhem as postagens anteriores. Tem um pouquinho de mim em cada uma delas... É o primeiro passo para que possamos nos conhecer melhor.

E, depois, daqui pra frente – quem sabe! – tenhamos sempre um encontro, seja para falar sério, seja para falar amenidades.

Fica sendo meu compromisso.

Sejam bem-vindos!

2 comentários:

andreia alencar disse...

Excelente!! Fez bem em recomeçar! Principalmente para desopilar de tudo que a gente vive no "árido mundo jurídico". Boa sorte e boas inspirações!! Bjs

Jac disse...

Uau!!! Parabéns Del, pelo texto e pelas palavras muito bem escritas. Sabe que sou sua fã 😍
Assim caminhamos no nosso árido mundo jurídico... "São centenas de parágrafos sem criatividade, justapostos como gado de corte, vernáculos se acotovelando entre brocardos em latim, ganhando aquela vestimenta toda certinha, alinhavada meticulosamente como uma insossa petição inicial..."